Sobre esta Aula
Resposta direta: esta Live apresenta a trajetória do advogado e professor João Teixeira, que passou de usuário de inteligência artificial a criador de aplicações para rotinas jurídicas. A conversa mostra como conhecimento de domínio, testes, validação humana e proteção de dados transformam experimentos com IA em processos profissionais úteis.
O que você vai aprender nesta aula
Da advocacia para uma fábrica de aplicações
João relata que começou aplicando IA em problemas que já conhecia como advogado. O contato diário com processos, clientes, aulas e outros profissionais permitiu testar se cada sistema realmente resolvia uma necessidade. Na entrevista, ele afirma ter criado 65 aplicações voltadas à área jurídica, utilizadas em sua própria rotina, em cursos e em mentorias.
A quantidade chama atenção, mas a lição central é o processo: identificar uma tarefa, construir uma primeira solução, testar com casos controlados, ouvir usuários e corrigir antes de ampliar o uso. A dificuldade não termina quando a interface fica pronta; confiabilidade, manutenção e encaixe na rotina determinam se uma aplicação será útil.
Exemplos apresentados na conversa
- sistemas de apoio à busca e organização de jurisprudência;
- uma aplicação criada para orientar advogados diante do golpe do falso advogado;
- provas e materiais interativos usados em sala de aula;
- uso do NotebookLM como apoio à revisão de conteúdos;
- uma solução local para substituir dados identificáveis por etiquetas antes do uso de serviços de IA;
- um ambiente de apoio à estruturação de peças jurídicas, sempre sujeito à conferência do advogado.
Um fluxo seguro para criar aplicações profissionais
- Escolha uma dor conhecida: comece por uma tarefa que você executa e consegue avaliar.
- Defina a responsabilidade: separe o que a IA pode auxiliar do que exige decisão do profissional.
- Mapeie entradas e saídas: registre dados necessários, etapas, critérios, fontes e resultado esperado.
- Minimize os dados: use somente as informações indispensáveis e remova identificadores quando possível.
- Teste em ambiente controlado: utilize exemplos fictícios ou anonimizados antes de lidar com casos reais.
- Valide conteúdo e fontes: confira legislação, jurisprudência, nomes, datas, citações e conclusões.
- Observe o uso real: acompanhe onde o usuário erra, o que precisa repetir e quais etapas geram risco.
- Atualize continuamente: modelos, ferramentas, regras e necessidades profissionais mudam.
Dados jurídicos exigem cuidado adicional
Processos não sigilosos ainda podem conter dados pessoais, estratégias, conversas e informações que não deveriam ser enviadas indiscriminadamente a uma ferramenta externa. O Radar Tecnológico da ANPD sobre IA generativa destaca riscos relacionados ao tratamento de dados pessoais, transparência, conteúdo sintético e atendimento aos princípios da LGPD.
Anonimização não deve ser tratada apenas como apagar um nome visível. Dependendo do conjunto de informações, uma pessoa ainda pode ser identificável. Para uso profissional, é necessário avaliar finalidade, necessidade, segurança, contrato do serviço e possibilidade de reidentificação, além das obrigações éticas e legais aplicáveis.
IA não substitui validação jurídica
A Live reforça que respostas geradas não devem ser copiadas diretamente para um processo. A ferramenta pode auxiliar na organização, comparação ou primeira estrutura, mas o advogado continua responsável por conferir a base legal, a aderência ao caso, a autenticidade das fontes e o texto final.
No Judiciário, a Resolução CNJ nº 615/2025 estabeleceu diretrizes de governança e uso responsável de IA baseadas em princípios como transparência, explicabilidade, confiabilidade, supervisão humana e segurança. Embora a atuação privada tenha regras e responsabilidades próprias, esses princípios são uma referência útil para estruturar aplicações jurídicas mais cuidadosas.
Fontes e referências
Perguntas Frequentes Sobre a Aula
+ Preciso ser programador para criar uma aplicação de IA?
Não necessariamente. Ferramentas assistidas por IA reduzem a barreira técnica, mas você ainda precisa compreender o problema, estruturar o processo, testar o comportamento e reconhecer quando necessita de apoio especializado.
+ Posso colocar dados de clientes ou processos em qualquer IA?
Não. Antes de enviar informações, avalie sigilo, dados pessoais, finalidade, necessidade, termos do serviço, retenção e segurança. Prefira dados fictícios ou adequadamente protegidos nos testes e busque orientação jurídica e de proteção de dados quando necessário.
+ Uma IA pode criar jurisprudência falsa?
Modelos generativos podem produzir referências incorretas ou inexistentes. Toda jurisprudência, lei, citação e dado processual precisa ser confirmado na fonte oficial antes de ser utilizado.
+ Qual é a melhor tarefa para automatizar primeiro?
Comece por uma atividade recorrente, de baixo risco e cujo resultado você saiba avaliar. Documente a execução manual, defina critérios de sucesso e mantenha aprovação humana antes de qualquer uso externo.
+ Como transformar experiência profissional em uma aplicação?
Escolha um problema específico, registre as decisões que um especialista toma, organize entradas e etapas, construa uma versão pequena e teste com exemplos controlados. A aplicação melhora quando o conhecimento tácito vira critério explícito.