LIVES.IA Inteligência Artificial na Prática Live 125 · Realizada em 29 de julho de 2026 Conteúdo revisado em 17 de agosto de 2026

Como um advogado transformou sua rotina em aplicações de IA

Sobre esta Aula

Resposta direta: esta Live apresenta a trajetória do advogado e professor João Teixeira, que passou de usuário de inteligência artificial a criador de aplicações para rotinas jurídicas. A conversa mostra como conhecimento de domínio, testes, validação humana e proteção de dados transformam experimentos com IA em processos profissionais úteis.

O que você vai aprender nesta aula

1. Começar pelo próprio trabalhoLocalizar tarefas recorrentes que você conhece bem antes de tentar criar uma aplicação para outras pessoas.
2. Transformar prática em sistemaConverter critérios profissionais, etapas e verificações em um fluxo que possa ser testado e aprimorado.
3. Proteger dados e decisõesSeparar informações sensíveis, limitar o contexto enviado e manter revisão humana sobre qualquer resultado jurídico.
4. Criar novas possibilidadesUsar a experiência acumulada para desenvolver aplicações, materiais, aulas e serviços sem abandonar a atuação profissional.

Da advocacia para uma fábrica de aplicações

João relata que começou aplicando IA em problemas que já conhecia como advogado. O contato diário com processos, clientes, aulas e outros profissionais permitiu testar se cada sistema realmente resolvia uma necessidade. Na entrevista, ele afirma ter criado 65 aplicações voltadas à área jurídica, utilizadas em sua própria rotina, em cursos e em mentorias.

A quantidade chama atenção, mas a lição central é o processo: identificar uma tarefa, construir uma primeira solução, testar com casos controlados, ouvir usuários e corrigir antes de ampliar o uso. A dificuldade não termina quando a interface fica pronta; confiabilidade, manutenção e encaixe na rotina determinam se uma aplicação será útil.

Principal lição: IA aplicada nasce da combinação entre conhecimento profissional e capacidade de estruturar processos. A ferramenta gera possibilidades; o especialista define o problema, os critérios e o limite da delegação.

Exemplos apresentados na conversa

  • sistemas de apoio à busca e organização de jurisprudência;
  • uma aplicação criada para orientar advogados diante do golpe do falso advogado;
  • provas e materiais interativos usados em sala de aula;
  • uso do NotebookLM como apoio à revisão de conteúdos;
  • uma solução local para substituir dados identificáveis por etiquetas antes do uso de serviços de IA;
  • um ambiente de apoio à estruturação de peças jurídicas, sempre sujeito à conferência do advogado.

Um fluxo seguro para criar aplicações profissionais

  1. Escolha uma dor conhecida: comece por uma tarefa que você executa e consegue avaliar.
  2. Defina a responsabilidade: separe o que a IA pode auxiliar do que exige decisão do profissional.
  3. Mapeie entradas e saídas: registre dados necessários, etapas, critérios, fontes e resultado esperado.
  4. Minimize os dados: use somente as informações indispensáveis e remova identificadores quando possível.
  5. Teste em ambiente controlado: utilize exemplos fictícios ou anonimizados antes de lidar com casos reais.
  6. Valide conteúdo e fontes: confira legislação, jurisprudência, nomes, datas, citações e conclusões.
  7. Observe o uso real: acompanhe onde o usuário erra, o que precisa repetir e quais etapas geram risco.
  8. Atualize continuamente: modelos, ferramentas, regras e necessidades profissionais mudam.

Dados jurídicos exigem cuidado adicional

Processos não sigilosos ainda podem conter dados pessoais, estratégias, conversas e informações que não deveriam ser enviadas indiscriminadamente a uma ferramenta externa. O Radar Tecnológico da ANPD sobre IA generativa destaca riscos relacionados ao tratamento de dados pessoais, transparência, conteúdo sintético e atendimento aos princípios da LGPD.

Anonimização não deve ser tratada apenas como apagar um nome visível. Dependendo do conjunto de informações, uma pessoa ainda pode ser identificável. Para uso profissional, é necessário avaliar finalidade, necessidade, segurança, contrato do serviço e possibilidade de reidentificação, além das obrigações éticas e legais aplicáveis.

IA não substitui validação jurídica

A Live reforça que respostas geradas não devem ser copiadas diretamente para um processo. A ferramenta pode auxiliar na organização, comparação ou primeira estrutura, mas o advogado continua responsável por conferir a base legal, a aderência ao caso, a autenticidade das fontes e o texto final.

No Judiciário, a Resolução CNJ nº 615/2025 estabeleceu diretrizes de governança e uso responsável de IA baseadas em princípios como transparência, explicabilidade, confiabilidade, supervisão humana e segurança. Embora a atuação privada tenha regras e responsabilidades próprias, esses princípios são uma referência útil para estruturar aplicações jurídicas mais cuidadosas.

Fontes e referências

Perguntas Frequentes Sobre a Aula

+ Preciso ser programador para criar uma aplicação de IA?

Não necessariamente. Ferramentas assistidas por IA reduzem a barreira técnica, mas você ainda precisa compreender o problema, estruturar o processo, testar o comportamento e reconhecer quando necessita de apoio especializado.

+ Posso colocar dados de clientes ou processos em qualquer IA?

Não. Antes de enviar informações, avalie sigilo, dados pessoais, finalidade, necessidade, termos do serviço, retenção e segurança. Prefira dados fictícios ou adequadamente protegidos nos testes e busque orientação jurídica e de proteção de dados quando necessário.

+ Uma IA pode criar jurisprudência falsa?

Modelos generativos podem produzir referências incorretas ou inexistentes. Toda jurisprudência, lei, citação e dado processual precisa ser confirmado na fonte oficial antes de ser utilizado.

+ Qual é a melhor tarefa para automatizar primeiro?

Comece por uma atividade recorrente, de baixo risco e cujo resultado você saiba avaliar. Documente a execução manual, defina critérios de sucesso e mantenha aprovação humana antes de qualquer uso externo.

+ Como transformar experiência profissional em uma aplicação?

Escolha um problema específico, registre as decisões que um especialista toma, organize entradas e etapas, construa uma versão pequena e teste com exemplos controlados. A aplicação melhora quando o conhecimento tácito vira critério explícito.